Hermano Soul

4 de outubro de 2010



O longboarder argentino Tomas Oberst Kadgien é um amante da essência do surf. Adepto do estilo clássico old school, ele chama a atenção dentro d`água pelo seu talento e elegância sobre as ondas na Praia dos Açores em Florianópolis onde vive nos últimos três anos.

Dedicado a promover a sustentabilidade na indústria do surf, Tomas também coloca a mão na massa para produzir as suas próprias pranchas e comercializar a sua linha de quilhas de madeira artesanais com a marca Oberst, além de participar de diversas ações ecológicas.



Diretamente de sua terra natal em Mar del Plata, onde atualmente passa uma proveitosa temporada aprimorando as suas técnicas de shape para a marca Camaron Brujo - principal fabricante de pranchas na Argentina - Tomas compartilha um pouco de seu espírito "eco-soul surfer" nesta entrevista exclusiva ao Surf & Cult.



1 – Conte um pouco sobre a sua infância?

Muita felicidade e inocência, criado numa fazenda sempre rodeado pela natureza. Saia correndo das aulas para pegar onda sem me importar com o castigo. A minha escola ficava em frente ao famoso point break argentino : Cabo Corrientes. Tenho também lembranças das viagems de verão para a casa de praia de minha familia em Floripa. Em poucas palavras, tive uma infancia incrivel.

2 – Quando você ganhou a sua primeira prancha de surf?

No verão de 98 em Mar del Plata. Uma Renato Surfboards 6´10 muito velha. Foi o meu primeiro amor!



3 – Qual a sensação que teve ao ficar em pé em sua primeira onda?

Foi o começo de tudo para mim. Essa primeira onda foi como se estivese ficando em pé diante da própria vida.


Tomas e seu irmão Nicolas em ação no sul de Floripa

5 – Em sua opinião, de que maneira os surfistas podem contribuir efetivamente para uma vida sustentável?

O surfista entende a importância de estar rodeado da natureza , levando uma vida sadia e equilibrada. O surfista é um ecologista em potencial. Muitas pessoas comuns hoje em dia estão respeitando os surfistas pelo que eles realmente são, admirando o nosso estilo de vida. Todos gostariam pegar onda . Surf é qualidade de vida.



6 – Das surftrips que já fez, qual a que mais se destaca em sua mente? Por que?

A primeira trip para o sul do Chile com meu irmão Nicolas. Altas ondas, potência total, adrenalina pura! Meu primeiro big surf.

7 – O que (ou quem) mais te inspira?

Um trabalho bem feito, um mar com ondas perfeitas, as coisas simples bem sucedidas, o desejo de um destino promissor e um futuro melhor para todos.


Botando pra baixo em La Paloma, Argentina

8 – Qual foi a coisa mais importante que você aprendeu em sua vida?

Que nas coisas simples da vida está o misterio de tudo. Meu melhor amigo me ensinou isso (Boris, um rottweiller de 60 kg!)

9 – Qual o seu maior motivo de orgulho?

Em primeiro lugar a minha familia é tudo para mim, e em segundo lugar , o fato de ter conseguido me adaptar a uma comunidade totalmente diferente daquela que me viu crescer, longe da minha terra, mais sempre de braços abertos, superando preconceitos e dificuldades, aprendendo assim uma nova cultura e idioma.



10 – Qual o significado que o surf tem para você e de que maneira ele transformou sua vida?

Surfando as ondas voce aprende tamben a surfar a realidade que te rodeia. Como diría Bruce Lee : Be wáter my friend! (Seja água, meu amigo!)

11 – Neste mundo, o que te traz mais felicidade?

Saber que existe esperança para tudo, que nada é impossível e que o poder da natureza prevalecerá sempre.



12 – Em sua opinião, quais são as pessoas que estão moldando o futuro do surf atualmente?

São aqueles que estão contribuindo para fortalecer a verdadeira cultura do surf. Sao os surfistas sem pretensões, que nao competem entre si, que gostam de compartilhar e que usam todo tipo de equipamentos para pegar onda. Também aqueles shapers e empresários do surf que oferecem produtos alternativos e sustentáveis accesiveis para todos, e, por fim, todas as organizacões nao governamentais de surfistas que cuidam o meio ambiente e oferecem ajuda humanitária em casos de catástrofes naturais em areas costeiras.


Cabo Corrientes em Mar del Plata onde tudo começou

13 – Qual o seu surf spot preferido?

Meu spot preferido é a maravilhosa Praia do Balneario dos Açores em Florianópolis onde moro atualmente, local onde aprendi a surfar, e onde todos os días do ano rola uma valinha perfeita para pranchão.


quintal de casa

14 – Quais os sons que você mais tem curtido nos últimos tempos?

Pink Floyd, Propagandhi, Black Uhuru, B.B. King, Beautiful Girls, Inner circle, Israel Vibration, entre muitos outros.

16 – Qual o seu maior motivo de agradecimento?

Agradecido eternamente a meus pais pelo apoio incondicional e por acreditar em mim.



17 – O que vem pela frente na vida de Tomas Oberst Kadgien?

Agora estou concentrado em fazer crescer a minha fábrica de quilhas e pranchas, ampliando a capacidade de produçã. Quero continuar com a minha procura pelos materiais alternativos para fabricar meus equipamentos sem comprometer a qualidade e performance.

Em outra frente, quero seguir participando e trabalhando para promover as boas práticas, que levem as pessoas a adotar uma vida mais simples e sustentável, junto ao Instituto Ilhas do Brasil.



Veja mais material sobre Tomas O.K clicando aqui e aqui. Veja também o arquivo de fotos Surf & Cult com Tomas, clicando aqui. Créditos: fotos e vídeo - Juan Piccolo e arquivo pessoal Tomas O.K

4 comentários:

UpOnBoard disse...

Graaande Luciano...

Mais um post de peso. Parabéns pela iniciativa e material. Com certeza vou contatar o Oberst pra adquirir umas quilhas! Irado mesmo !!

Abração,
Tiago Cardoso
www.uponboard.com

Anônimo disse...

Muito Boa a entravista ,muito Style mesmo Cabezon...
Um abraco
juanson

daniel caon alves disse...

Bom post! Esta ilha realmente me surpreende! Quando se pensa que tudo é competição, que todo mundo na água quer ser o "novo Kelly Slater", surgem essas histórias trazendo o outro lado do surf. Para mim, o lado mais bonito. Boa história!

Felipe Siebert disse...

É Daniel, é que nem procurar uma agulha num palheiro.. mas tem.. hehe

Bela matéria... o Tomas é, sem duvida, um dos raros excelentes longboarders de Santa Catarina.

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