A Cura do Mar

24 de setembro de 2011



Vou entrar no mar, nem que seja só para dar um mergulho! Quem realmente tem o surf como fonte essencial de prazer conhece bem a sensação revigorante que o contato com a água salgada costuma produzir. Pessoalmente, sempre que estive perto do mar tive o impulso quase incontrolável de me jogar na água, mesmo em um dia frio e sem ondas e sempre me senti mais energizado e com mais vitalidade depois de um simples mergulho no mar.

As explicações para este fenômeno encontram respostas imediatas em uma rápida pesquisa pelo conhecimento científico. A água salgada do mar possui em sua composição um arsenal de mais de 80 elementos quími­cos, que atuam no combate e prevenção de inúmeras doenças e na promoção do bem estar. O cálcio, zinco, silício e o magnésio, por exemplo, são recomendados no tratamento de doenças como artrite, osteoporose e reu­matismo. Já o potássio, o ferro, o iodo e o cloreto de sódio eliminam toxinas e melhoram o sistema imunologico dos seres humanos.

O sal marinho também possui propriedades cicatrizantes e anti­sépticas e massagem natural promovida pelas ondas do mar estimula a circulação sanguínea aumentando a oxigenação das células e aliviando as tensões musculares. Tá explicado então por que é tanto divertido tomar uns caldos e levar umas ondas na cabeça de vez em quando.



Quem levou as propriedades terapêuticas da água do mar mais a sério foi o biólogo francês René Quinton, um estudioso das teorias do surgimento da vida e da evolução humana. Há mais de cem anos atrás, ele criou um método terapêutico revolucionário que originou o chamado “plasma de Quinton”, um composto que salvou milhares de vidas de forma natural e indolor, através do uso de água marinha profunda e de extrema pureza.

O cientista partiu da hipótese de que “a vida animal, que começou como uma célula no mar, manteve através de toda a evolução zoológica as células que compõem cada organismo num ambiente marinho” e isto se aplica também as formas de vida terrestres como os sres humanos. A água do mar isotônica seria portanto o meio vital presente no plasma sanguíneo de todos os animais, o que Quinton confirmou através da chamada “Lei da Constância Marinha”.

Em resumo, Quinton afirma que se cada uma das células de um ser vivo, por mais elaboradas que sejam, se banham num meio fisiológico idêntico ao meio marinho, é possível substituir o sangue humano pela água do mar isotônica – que replica a salinidade encontrada nos oceanos primitivos ­ e assim combater diversas doenças. Ele comprovou isso ao demonstrar que os glóbulos brancos humanos continuam a viver na água do mar, enquanto morrem em qualquer outro meio artificial.



Por uma série de motivos, as revolucionárias descobertas de Quinton, mesmo cientificamente comprovadas, foram sendo deixadas de lado com o passar do tempo. Muitos atribuem isso ao poder perverso da indústria farmacêutica, que prefere tratar cada doença com um remédio específico e consequentemente obter lucros infinitamente maiores do que aplicar o simples plasma de Quinton como solução para quase todos os males.

No campo terapêutico, os poderes da água do mar baseados nas descobertas de Quinton sobrevivem de alguma forma nos tratamentos aplicados pela chamada talassoterapia e na venda desta agua isotônica. Se pensarmos que o corpo humano é constituído por 70% da água salgada que cobre os 70% do globo terrestre seria importante investigar mais a fundo as propriedades deste líquido tão esencial.

Seja como for, não é nenhum exagero afirmar que, se nossos fluidos vitais são mesmo oceânicos, nós surfistas nos colocamos constantemente em direta conexão com nossas origens toda vez que entramos no mar para interagir com as ondas. Deve ser por isso que nos sentimos como verdadeiras crianças ao fim de uma boa sessão de surf.



Coluna publicada na edição 107 do Jornal Drop

2 comentários:

Rodolfo disse...

Bom texto!
As comparações dos compostos presentes na água marinha com o sangue humano são bem interessantes....
O complicado é a agua do mar estar sendo poluída de todas as formas possíveis.
Li na Parafina nas edições 36,37 e 38 um artigo sobre poluição marinha que abrange desde o petroleo, passando pelos plásticos, esgoto doméstico, fármacos, hormônios, nanopartículas e poluição radioativa... Recomendo a galera dar uma lida... ta certo que os níveis de poluição e tipos variam conforme a região...
O artigo ta bem completo foi escrito pelo Fabricio Nunes que como diz lá é engenheiro de Aquicultura.
Valew
Paz

daniel caon alves disse...

Belo texto! Me identifiquei logo de cara, pois não consigo ir à pria e não entrar no mar, não importa se está frio, se não tem onda etc. Além do prazer de estar na água, há também essa sensação de bem estar e revigor que se sente quando sai d'água, que não ocorre por nada, como aprendi com essa leitura. Valeu!

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