Fotógrafo Não é Pedra

12 de novembro de 2010



O curso de fotografia de surf com Sebastian Rojas, que aconteceu entre os dias 5 e 7 de novembro em Floripa, foi uma oportunidade valiosa de obter alguns ensinamentos sobre esta atividade com um dos mais experientes e bem-sucedidos profissionais do mercado no Brasil.



Fotógrafo "residente" da revista Fluir - publicação especializada em surf de maior tiragem no Brasil - foi muito instrutivo passar algumas horas conversando e fotografando dentro e fora d`água com Sebastian, um fotógrafo que exerce há função há 25 anos, com inúmeros trabalhos publicados, incluindo dezenas de capas de revista.



Sempre sorridente, ele fazia uma escala em Floripa antes de embacar para mais uma temporada havaiana. Além de viajar com frequência para a Indonésia e em outras surf trips pelo mundo, Rojas, que é filho de espanhol e reside no Guarujá, vem ministrando este tipo de curso pelo Brasil já há alguns anos, estimulando a iniciação dos muitos interessados em fotografia aquática - principalmente com o advento da fotgorafia digital que facilitou muito o processo de captura e tratamento das imagens.



Descobrir alguns macetes essenciais na operação na caixas estanques e teleobjetivas, obter dicas de equipamentos e acessórios são alguns dos ensinamentos essenciais que certamente fazem toda a diferença no resultado do trabalho. Em busca desta experiência, eu e mais seis camaradas de norte a sul do litoral catarinense nos matriculamos no curso de fim de semana organizado pela Duo Arte.



Nos encontros teóricos, Rojas explicou a matemática do acerto de luz das câmeras, baseadas na trilogia: abertura, velocidade e Iso, bem como no inevitável investimento em bons equipamentos para se alcançar um nível profissional de fotografia - valorizando os avanços da tecnologia e sem cair no romantismo dos desafiadores tempos analógicos, que foi a sua escola por quase 20 anos.



No sábado o vento sul entrou como previsto junto com o fraco swell na mesma direção. A opção mais promissora era a bela e preservada praia do Matadeiro no sul da ilha. A chuva da noite anterior fora embora dando vez a uma manhã ensolarada. Subindo a agradável trilha para visualizar o line up veio logo a certeza de que o dia seria produtivo.



Dentro d`água, ao contrário do surfista que está apenas preocupado com a qualidade das ondas, o fotógrafo se vê as voltas com toda a sorte de fenômenos que interagem para se chegar ao cenário desejado. A onda pode ser boa, o sol oferecer a luz perfeita e o posicionamento da camera ser o ideal, mas ainda assim, a foto pode ser arruinada. Tudo porque o bendito surfista prestes a ser capturado no seu instante de glória acaba escorregando o pé na prancha ao tentar extrapolar os limites em busca do momento perfeito.

A verdade é que os surfistas amadores instintivamente se empolgam com a presença do fotógrafo aquático e desandam a tentar fazer mais do que sabem, mas no fim das contas, isso acaba sendo divertido, desde que não haja algum acidente mais sério com o fotógrafo sendo atingido por algum "surfista kamikaze"- apelido dado por Rojas a estas perigosas criaturas marinhas.



No exercício de montar um bom portfolio editorial, saber mesclar variedade com qualidade é importante. Assim, a fotografia de surf é muito mais do que apenas registrar um monte de momentos de surfistas pegando onda. Nesse sentido, vale o empenho de ir além do usual, no objetivo de capturar amostras do lifestyle, da cultura de praia, das famílias curtindo o fim de semana na praia, das crianças brincando na areia, da paisagem exuberante da trilha cercada de verde, das espumas nas pedras e de todos os demais elementos que diferenciam uma praia da outra.



Mas não há como negar que as boas cenas de ação são o prato principal que alimentam o fotógrafo de surf. No domingo, o vento virou para nordeste e apesar das ondas não passarem do "meio metrinho honesto", pudemos aproveitar a presença de diversos surfistas profissionais que participavam do Brasil Surf Pro na Joaquina e ir atrás de bons momentos de manobras na onda.

Caí na água ao lado da área de competição para fotografar um pouco de freesurf, buscando treinar o melhor posicionamento e pronto para desviar do caminho e não atrapalhar a performance do surfista - seguindo assim a máxima repetida várias vezes por Sebastian de que "fotógrafo não é pedra" .



De volta areia, no revezamento entre os alunos a minha vez de usar a lente 600mm no tripé caiu durante a final feminina, onde Suelen Naraísa venceu o campeonato (e também o título do circuito) na bateria contra Monik Santos (na foto acima). Vários fotógrafos profissionais como Flávio Vidigal, James Thisted e Márcio David estavam na praia com seus canhões a postos para registrar estes momentos do surf competição.



Finalizada a sessão, chega a hora de trabalhar no computador o material capturado e uma questão conceitual crucial surge diante do desafio de se exercitar a capacidade de autocrítica na edição das imagens. O rigoroso critério de escolha é uma premissa importante para o fotógrafo poder valorizar o seu próprio trabalho, mostrando abrangência sem cair nos excessos e na repetição. O recado de Rojas era claro: "não perca tempo com fotos medianas". Infelizmente, talvez eu ainda não tenha assimilado completamente esta sabedoria e num futuro próximo me arrependa amargamente de ter publicado estas fotos!



Para conferir outras fotos feitas pela turma do curso clique nos seguintes links: surfeatividade / guelsurf / aguiarmoments / praiadavila

7 comentários:

Tiago Dutra disse...

Legal Luciano, este blog está cada vez melhor. Há cerca de dois ou três anos o Sebastian ministrou um desses workshops na Ilha do Mel, litoral do Paraná. Conversando com ele, pude ver como trata-se de um cara legal, simples e verdadeiro. Além de um fotógrafo sensacional, o Sebastian é também uma pessoa incrível. Agora moro por aqui, em Floripa, e infelizmente não pude participar deste encontro. Quem sabe na próxima? Um abraço, e parabéns novamente pelo blog!

Sebastian Rojas disse...

Oi Luciano, cara ficou muito show esse material, gostei disso demais, é a primeira vez que vejo uma matéria contando o que foi o curso, descrevendo dessa forma...quem tem essa oportunidade de fazer sabe a importância que dou ao aprofundamento das questões ligadas a técnica com arte e o conhecimento do oceano, esse texto contou muito do conteúdo que gosto de passar, como falei nas aulas, quem souber aproveitar irá pular muitas etapas...e vc soube captar a essência da coisa, parabéns!! Só uma correção: A lente no tripé é uma 600mm!
Gde abraço!!

João Paulo - Imbituba disse...

Olá Luciano. Cara, eu vi o sufoco que passasse para escolher as 10 melhores..ahuahuhaua. Mas é assim, nada melhor que um dia após o outro para aprendermos, assim errar menos. Como falasse, o Sebastian nos deu as dicas principais, agora é exercício e aplicação. Parabéns pela matéria colega. Ótimas fotos e um abração!

Rodigo S.Aguiar disse...

Daee Luciano, muito Showw a matéria, ainda mais recebendo um comentario desses do nosso mestre! hehe Parabenss, agora eh só fotografar o q à de melhor nessa vida!! Um grande Abraço.
Rodrigo S. Aguiar

A.R.T. Project disse...

Caixa estanque, curso com o Rojas... Já já imagens de Luciano Burin ilustrando as páginas das revistas. Manda ver!!!

Marcos Velloso disse...

Arretado, Luciano!

Torço pra que um dia Sebastian apareça por aqui pelo nordeste pra realizar um curso desse.

parabéns pelas fotos

GUEL disse...

Massa, Luciano! Parabéns por saber usar a câmera tão bem quanto o teclado!! rs O Blog está muito bom!! Abração

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