Reconhecendo o Terreno

15 de abril de 2014

















Em uma sexta-feira com bom tempo característico de outono a produção do documentário "A Pedra e o Farol" foi finalmente retomada, quase um ano após a entrevista inaugural realizada com o sr. Egídio Farias, que infelizmente veio a falecer em dezembro de 2013.

















No caminho de Florianópolis até Jaguaruna no litoral sul de Santa Catarina, eu e o cinegrafista Marcos Vinicius D'Elboux cruzamos todo o prímetro geográfico compreendido neste documentário, registrando imagens de natureza e testando as possibilidades estéticas das muitas paisagens que compõem o roteiro da produção que será gravada ao longo dos próximos meses.















Desde o trajeto pela balsa em Laguna, acessando a estrada já praticamente asfaltada em sua totalidade pelo Cabo de Santa Marta até o municipio de Jaguruna e praia do Arroio Corrente, de onde se chega à Laje da Jagua (Pedra do Campo Bom), o passeio ao longo de todo o dia serviu como uma verdadeira expedição de "reconhecimento de terreno", em paisagens que já fazem parte da minha memória visual desde a minha infância.

















Da imponência do Farol de Santa Marta, observado de diversos ângulos, do asfalto que quebra as barreiras da paisagem desolada de dunas e pedras, conferindo as boas ondas quebrando para os muitos surfistas concentrados na Praia da Cigana, cruzando a icônica Barra do Camacho, finalizamos o passeio registrando a Lagoa do Arroio Corrente e encarando o forte vento nordeste que movia tempestades de areia no alto das dunas.

















Nos dias seguintes inciamos a gravação de novas entrevistas começando pelo resgate das histórias e curiosidades por trás do valioso acervo fotográfico do sr. Gentil Reynaldo, que a partir dos anos 40 fez registros singulares do litoral da região ao sul do Cabo de Santa Marta e das praias de Jaguaruna, incluindo os muitos naufrágios e encalhes de navios nas perigosas águas deste litoral - uma parte essencial da narrativa aser construída no filme.

Além do conteúdo das entrevistas, o documentário busca o desafio de transmitir de maneira poética a interação humana com as paisagens encontradas neste pedaço de litoral onde a natureza se impõe de maneira tão intensa, o que inclui a importância do surf como elemento desta interação, nas muitas praias do Farol e também na poderosa Laje da Jagua, palco de algumas das maiores ondas do Brasil.

















A produção do documentário A Pedra e o Farol conta com o apoio da GAM/Farol Shopping via Lei Rouanet de Incentivo à Cultura e está com prazo de captação aberto para novos apoios via isenção fiscal de IR que permitam concluir o filme com a qualidade máxima desejada. 


Mais informações no blog oficial do filme: www.apedraeofarol.blogspot.com







Sidarta

9 de abril de 2014


"Carinhosamente, olhou a torrente das águas, o verde transparente, as linhas cristalinas de seu desenho misterioso. Notou que do fundo subiam pérolas luminosas, que na superfície flutuavam silenciosas bolhas de ar, que o espelho refletia a luz do céu. 

Com milhares de olhos fitava-o o rio (* o mar), olhos verdes, brancos, diáfanos, cerúleos. Como ele adorava aquelas águas! Estava encantado por elas. Sentia-se grato. Notava que no seu coração a voz tornava a falar. Despertada do sono dizia-lhe: 'Ama as águas! Não te afastes delas! Aprende o que te ensinam!' 

Ah sim! Ele queria aprender delas, queria escutar a sua mensagem. Quem entendesse a água e seus arcanos - assim lhe parecia - compreenderia muitas coisas ainda, muitos mistérios, todos os mistérios."

( Trecho do livro "Sidarta" de Hermann Hesse publicado originalmente em 1922)
* livre associação deste blog



Pegadas na rede

25 de março de 2014



Um filme só alcança o seu objetivo quando é visto pelo maior número possível de pessoas. Assim, após algumas exibições em festivais de cinema e no Canal OFF de tv a cabo desde o lançamento oficial em junho de 2012, decidi disponibilizar o meu documentário "Pegadas Salgadas" para visualização gratuita na internet, garantindo livre acesso a todos que queiram conferir o seu conteúdo.

O longa-metragem registra a marca deixada pela cultura do surfe em Florianópolis nas últimas décadas, a partir de depoimentos de 25 personagens que construiram suas vidas em torno do esporte na ilha de Santa Catarina. Produzido com recursos do edital de cinema de Santa Catarina, infelizmente não foi possível investir em um lançamento oficial do filme em DVD, o que será compensado com este lançamento na internet.

Continuo buscando parceria com algum canal de tv para transformar "Pegadas Salgadas" em uma série televisiva semanal, o que permitiria aprofundar ainda mais os temas abordados no documentário, aproveitando a extensa fauna de histórias e personagens que habiam o universo do surf em Santa Catarina. Enquanto isso, fica novamente o meu agradecimento a todos aqueles que contribuiram para a realização deste trabalho.

Equipe:
Direção, roteiro e produção: Luciano Burin
Imagens: Antonio Zanella, Rafael Ribeiro, Marcos D'Elboux, Fabio Siebert e Luciano Burin
Som direto: Fabio Siebert
Montagem e edição: Luciano Burin e Marcos BG
Arte e color: Marcos BG
Edição de som: Leonardo Gomes
Imagens adicionais: Lars Kreuger, Flávio Vidigal, Fábio Gouveia e José Manoel Pereira Nunes
Pesquisa de roteiro: Pedro Kuhnen
Consultor de Fotografia: Marx Vamerlatti
Produção Executiva e Finalização: Tiago Santos
Trilha Sonora original: Guilherme Vieira da Silva
Artistas convidados: ART Project, Tijuquera e ManeCabral
Site oficial: www.scult.tv

Dias e Dias

7 de março de 2014

Não foi por causa da falta de braço na remada devido aos muitos dias longe do mar. Não era o caso. Eu estava de férias na praia e andava surfando diariamente.

Não foi por falta de ondas. Muito pelo contrário. Séries espaçadas de até dois metros abriam longas direitas em direção ao canal, além de esquerdas potentes no meio da praia.

Não foi por falta de equipamento, afinal, a minha 5'7'' quadriquilha larga e de borda grossa oferecia uma excelente remada e estava no pé.

Não foi por causa do excesso de surfistas na água. Crowd havia, mas até que estava bem espalhado. Inclusive remei mais para o meio da praia e em alguns momentos estava praticamente sozinho no pico quando a série se anunciou.

E por que foi então? Como explicar isso em termos palpáveis, além do que podemos chamar de falta de sintonia ou falta de sorte? Haveria algo de metafísico no fato de as ondas insistirem em driblar os meus esforços em alcança-las?

Que existem dias e dias todo mundo sabe. Que existem "dias sim" e existem "dias não" - e não há nada que possamos fazer quanto a isso - é algo que venho comprovando na prática ao longo do tempo.

No caso dos "dias não", eles podem acontecer sim em uma sessão de surf, mesmo prevalecendo a velha máxima de que ao sair do mar nos sentimos sempre melhor do que quando entramos.

Serviu como pista o fato de que as três melhores ondas do dia encontraram invariavelmente o mesmo camarada de funboard que se posicionava sempre próximo a mim, mas o suficientemente distante para que ele tecnicamente nunca me rabeasse.

Pouco ajudava então a consequência de ver-me inquieto, tentando conter um sentimento de raiva invejosa, a ponto de remar com a testa franzida na direção oposta ao surfista que experimentava o seu "dia sim" - o dia em que as ondas se oferecem a você como por passe de mágica.

E quando uma das maiores ondas do fim de tarde acabou espumando numa fechadeira justamente no meu único drop decente, eu já deveria saber.

E quando embiquei logo na cavada da segunda e última onda que peguei antes de escurecer, apenas aquiesci e sorri em desgraça.

E então saí vencido da água, lembrando que, para o bem ou para o mal, amanhã seria outro dia.



crédito fotos: Antonio Carvalho Cabral

Pioneiros - ep.7

20 de fevereiro de 2014



Só acaba quando termina, diz o ditado popular.  Assim, a série "Pioneiros do Surf em Santa Catarina" ganhou um sétimo e último episódio por conta de um valioso trecho de mais de três minutos do surfari de Lars Kreuger e Fernando "Marreco" Moniz na icônica esquerda da Atalaia em Itajaí no verão de 1973/74, que ficou de fora dos episódios anteriores.

A ausência das imagens que trazem as maiores ondas encontradas pela dupla ao longo dos dois meses que passaram filmando no pico, foi apontada por Marreco, que sentiu falta justamente do que ele considerava o melhor trecho do arquivo total de cerca de meia-hora, numa sessão com ondas de até dois metros.



"A gente costumava separar as melhores ondas para colocar no final dos filmes", recorda-se Marreco sobre a edição dos rolos de super 8mm, cujas sequencias eram cortadas com tesoura e coladas com fita adesiva. Então, nada mais justo que encerrar a série com a selecão original dos melhores momentos nas ondas desta dupla de pioneiros.


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