Fotografia de Surf

11 de setembro de 2014



O terceiro episódio da websérie Pegadas Salgadas é dedicado à fotografia de surf, uma atividade essencial para a divulgação e popularização do surf como esporte, transmitindo todo o apelo visual e estético que envolve o mundo das ondas.

A partir dos depoimentos dos fotógrafos de surf residentes em Floripa, Flavio Vidigal, Basilio Ruy e Marcio David, o episódio aborda o universo de trabalho destes profissionais e as sensíveis mudanças ocorridas nesta atividade ao longo do tempo - incluindo as facilidades conferidas pela fotografia digital e pelo sistema de previsão de ondas, em contraste com a concorrência e a desvalorização da atividade, por conta do excesso de fotógrafos dedicados ao surf.


Vale notar que hoje, cada vez mais, a profissão de fotógrafo de surf se funde com a de cinegrafista, pela conjunção dos equipamentos, onde muitos dos novos profissionais filmam e fotografam ao mesmo tempo. E se a produção de fotos de surf para revistas e sites está cada vez mais competitiva, uma outra tendência que surge com força nos últimos anos é a da produção fotográfica associada a surf trips, especialmente em locais como a Indonésia - onde vários fotógrafos brasileiros ganham a vida fotografando as trips de surfistas de férias em barcos nas ilhas Mentawaii, por exemplo.

Clique aqui para assistir aos outros episódios da websérie Pegadas Salgadas

Surf Reporters

3 de setembro de 2014



O segundo episódio da websérie "Pegadas Salgadas" é dedicado a profissão de surf repórter, esses camaradas que prestam um serviço valioso pra galera que não quer perder a viagem numa sessão de surf, checando antes as condições do mar em um boletim das ondas.

Os depoimentos de José Oliveira Rocha, mais conhecido como Rochinha, que há mais de uma década faz o boletim por telefone (disk surf), o também experiente Maurio Borges, que dá as dicas na rádio Jovem Pan, e o surfista e shaper Guga Arruda, que presta o mesmo serviço na rádio Atlântida, ajudam a traçar um perfil desta atividade em Floripa, que inclui ainda boletins pela internet.

Rochinha e Maurio conferindo as ondas na Joaquina

A profissão de surf repórter evoluiu muito desde que surgiu nos anos 80, com a disseminação do telefone celular e posteriormente da internet, que facilitaram bastante o processo de atualização e checagem das ondas. Ainda assim, faça chuva ou faça sol, eles tem que acordar diariamente no clarear do dia para dar informações sobre as condições do mar. A recompensa é poder pegar boas ondas com pouco crowd quando as condições estão boas.

O lado ruim está ligado ao frio do inverno e aos perigos de estar circulando pelas praias ainda de madrugada, como bem explica Rochinha num dos trechos inéditos que não entraram na edição original do documentário: "Vocês não tem ideia de que tipo de pessoas restam da noite, e de como  você se sente ameaçado por essas pessoas", conta.

estacionamento da Joaquina

Interessante notar que, pela relação diária com os ouvintes, os surf reporters acabam tornando-se quase como amigos para os surfistas mais fissurados, que consultam as suas informações e confiam nos seus relatos. A nova edição do material também aproveita para citar outros nomes importantes desta atividade na ilha como Raposão e Pena, que, infelizmente não puderam ser entrevistados para o filme. Confira os episodios da websérie Pegadas em Salgadas em: https://vimeo.com/channels/seriepegadas


Pegadas - A Série

25 de agosto de 2014



Desde o início da produção do documentário "Pegadas Salgadas", minha intenção era transformar o projeto em uma série de TV, aproveitando ao máximo todo o rico material produzido com 25 representantes da cultura surf em Florianópolis, ampliando o escopo para todo o estado de Santa Catarina e, se a ideia fosse bem sucedida, por que não,  todo o litoral brasileiro.

O filme foi lançado com sucesso em 2012, sendo exibido em festivais de cinema no Brasil e no exterior, além de chegar à televisão com exibições  no Canal Off. Contudo, infelizmente a ideia de produzir a série esbarrou nas respostas evasivas dos canais de TV dedicados a esporte e aventura que procurei, e assim, o material das entrevistas e as ideias para novos temas e personagens estão desde então guardados em hard drives e documentos eletrônicos.


Na semana passada, com a volta do debate sobre o localismo na grande mídia, por conta dos episódios de agressão na praia do Campeche, resolvi editar o trecho de Pegadas Salgadas que trata do localismo de modo a contribuir para as polêmicas posições em torno deste tema tão controverso - e aproveito aqui para reforçar o meu repúdio a qualquer tipo de violência física e verbal, dentro e fora d'água.

Feito isso, decidi ir além e criar um canal para uma websérie Pegadas Salgadas, onde irei postar semanalmente episódios segmentados que reúnem outros temas abordados pelo filme, como a pesca da tainha, as profissões envolvidas no surf-  como shapers, fotografia, escolinhas de surf e surf repórteres -, além de publicar mini-perfis com alguns dos personagens.

Além dos trechos sobre estes temas presentes no filme longa-metragem, a ideia é também incluir imagens e depoimentos inéditos, além de produzir novos materiais para tornar ainda mais completo esta inesgotável possibilidade de conteúdos que o tema da cultura do surf em Santa Catarina suscita.


Minha impressão pessoal é que os canais de tv a cabo com programação dedicada ao surf, em geral estão se perdendo no conteúdo vazio dos formatos reality-show "egotrip", onde os "apresentadores" se atribuem mais importância do que os personagens e locais que visitam - e o pior é que na maioria dos casos falta a estes apresentadores o carisma pessoal e o talento nas ondas necessários para que este formato se sustente.

Acredito que é possível unir belas imagens de ação e natureza com um conteúdo culturalmente enriquecedor para quem está assistindo. E se não podemos viabilizar isto na tv, que seja no ainda democrático universo da internet.

Confira aqui o canal da websérie Pegadas Salgadas: https://vimeo.com/channels/seriepegadas

Roteiro da Natureza

12 de agosto de 2014


Na semana que passou, a título de buscar imagens de natureza para compor o conteúdo do documentário "A Pedra e o Farol", tive a oportunidade de registrar belos momentos no litoral de Laguna e Jaguaruna, num passeio que rendeu estes belos frames registrados pelo cinegrafista Rafael Ribeiro.



O dia frio de inverno começou iluminado pelo nascer do sol no mar da praia do Arroio Corrente em Jaguaruna de onde seguimos em direção ao norte  pela precária estrada litorânea de chão batido no intuito de registrar paisagens nos pequenos balneários que hoje ocupam as antes virgens cadeias de dunas.



O cenário de desolação que buscavamos foi ressaltado pelo aspecto abandonado de loteamentos como o de Nova Camboriú, hoje objeto de uma ação de embargo por estar localizado em área de dunas e absurdamente próximo a dois sambaquis. Assim, o cenário era de umas poucas casas, com dunas tomando de volta o espaço das ruas construídas, num espaço com extensas dunas e pequenas lagoas naturais que batizamos de "lençois jaguarunenses".

Chegando à Barra do Camacho na divisa com o município de Laguna, registramos as tradicionais atividades dos pescadores artesanais, que passam horas sobre os molhes de pedra lançando suas tarrafas na saída da lagoa para o mar, neste tradicional reduto pesqueiro da região.



Já no início da tarde, na região do Farol de Santa Marta, fomos brindados com a passagem de baleias francas pela Prainha e pela praia do Cardoso, num espetáculo da natureza proporcionado por estes mamiferos que visitam o litoral catarinense nesta época do ano.


A noite, o desafio foi tentar capturar toda a beleza de um céu limpo e estrelado em um time-lapse na praia de Jaguaruna, escolhendo como referência terrestre as ruinas do clube Mariscão, próximas a minha casa. 


Por fim, no dia seguinte, o trajeto de volta a Floripa rendeu ainda uma sessão de surf com vento terral na Praia da Cigana, além do registro da pesca com golfinhos na Barra de Laguna, finalziando com um registro das três pontes na BR-101 com o Farol.

Veja mais no site oficial do filme A Pedra e o Farol

Terra em Trânsito

23 de julho de 2014




Com base na abordagem sobre o tema da ocupação humana no Farol de Santa Marta desenvolvida no documentário "A Pedra e o Farol", preparei uma matéria de oito páginas publicada na edição de julho da revista Fluir, onde procuro mostrar os dilemas vividos com a chegada definitiva do asfalto às praias do Cabo de Santa Marta e o papel decisivo dos surfistas no desenvolvimento e na preservação ambiental da região ao longo do tempo.


Com fotografias geradas durante as gravações e colaborações adicionais de Reinaldo Jaeger, Marcio David, James Thisted e Gentil Reynaldo, o texto busca refletir sobre a delicada questão do direito à ocupação do solo em áreas costeiras ao longo do tempo, numa área hoje compreendida dentro da APA da Baleia Franca, que reconhece a importância de preservação ambiental do ecossistema de dunas, sambaquis e lagoas para o equilibrio ambiental de toda a região.



















Se hoje os próprios surfistas pioneiros que ajudaram a ocupar e divulgar as belezas naturais e as ondas do Farol de Santa Marta reconhecem que as alterações nos fundos de areia provocadas pela construção de casas próximas ao mar prejudicaram a qualidade das ondas, vemos que a região chegou num ponto decisivo na construção do seu futuro.



Neste cenário, temos de um lado a especulação imobiliária que se acelera com a chegada do asfalto e a facilidade de acesso oferecida - com projetos de novos e grandes condôminios residenciais -, e do outro lado, orgãos ambientais e ações do Ministério Público que buscam preservar a beleza natural original da região, com a derrubada de construções irregulares e a criação de parques naturais.



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