Pais e Filhos

30 de setembro de 2014



O quarto episodio da websérie Pegadas Salgadas mostra como a relação de pais e filhos com o surf mudou drasticamente ao longo do tempo. Se nas antigas convencer os pais de que era possível viver do surf era uma tarefa árdua, como recordam Fernando "Marreco" Moniz e Teco Padaratz, hoje é comum termos surfistas de diferentes gerações em um mesma familia, como atesta Xandi Fontes, ou até mesmo uma família onde pai e filho são surfistas profissionais, como é o caso de Fabio e Ian Gouveia.



Confira todos os episódios da websérie Pegadas Salgadas em: https://vimeo.com/channels/seriepegadas


  

Da Terra para o Mar

23 de setembro de 2014


A previsão de uma ensolarada manhã de terça-feira de setembro, sob o sol reluzente de um dia limpo de forte vento sudoeste, representava uma das últimas oportunidades de registrar as paisagens das praias do Cabo de Santa Marta para o documentário "A Pedra e o Farol" neste inverno que não foi dos mais rigorosos.



Dada a conjunção dos elementos, a escolha pelo costão da praia da Galheta era óbvia. Por aqui, ondulação de sul equivale a mar azul, e o vento do mesmo quadrante sopra da terra para o mar.
Ah o vento terral! Ele penteia qualquer sinal de espuma que chega a praia e produz o cenário de sonhos para os surfistas.



O lineup estava vazio e a ondulação passava mais para o meio da praia, mas a formação das ondas não estava lá essas coisas por lá, pois o vento estava muito forte e já pegava meio de lado.  No costão protegido o vento era perfeito, mas apenas umas merrecas ocasionais corriam esporadicamente sobre a água transparente.



A missão não era filmar surf e sim a beleza da paisagem. Percorremos então o costão para registramos a geografia recortada e o bairro de casas sobre as dunas e as pedras, alvo de uma ação ambiental que pede a demolição de todas as construções do local. O meio-dia se aproximava e a cada pequena série que corria pelas pedras, crescia a minha vontade de me jogar no mar. Um desejo que só aumentou ao avistarmos uma baleia franca dando o seu espetáculo no meio da praia.



Técnicamente poderiamos dizer que o mar não estava surfável, mas este era o tipo de cenário para mim irresistível, então resolvi entrar na água e dar uma remada de qualquer jeito. Logo fui acompanhado pelo local Alex José, que chegou com um de seus longboards clássicos de madeira com mais de 11 pés de sua marca Noserider, construídos artesanalmente com tábuas maciças de garapuvu.



Munido de sua pesada embarcação de madeira, ele conseguia entrar com velocidade em qualquer ondulação, o que permitiu que registrassemos alguns momentos de surf para complementar as gravações. Eu também tentei a sorte com o pranchão, apenas para comprovar que ele requer uma abordagem totalmente diferente do que estamos acostumados numa pranchinha.



Crédito das imagens: frames "A Pedra e o Farol" por Marcos BG




Fotografia de Surf

11 de setembro de 2014



O terceiro episódio da websérie Pegadas Salgadas é dedicado à fotografia de surf, uma atividade essencial para a divulgação e popularização do surf como esporte, transmitindo todo o apelo visual e estético que envolve o mundo das ondas.

A partir dos depoimentos dos fotógrafos de surf residentes em Floripa, Flavio Vidigal, Basilio Ruy e Marcio David, o episódio aborda o universo de trabalho destes profissionais e as sensíveis mudanças ocorridas nesta atividade ao longo do tempo - incluindo as facilidades conferidas pela fotografia digital e pelo sistema de previsão de ondas, em contraste com a concorrência e a desvalorização da atividade, por conta do excesso de fotógrafos dedicados ao surf.


Vale notar que hoje, cada vez mais, a profissão de fotógrafo de surf se funde com a de cinegrafista, pela conjunção dos equipamentos, onde muitos dos novos profissionais filmam e fotografam ao mesmo tempo. E se a produção de fotos de surf para revistas e sites está cada vez mais competitiva, uma outra tendência que surge com força nos últimos anos é a da produção fotográfica associada a surf trips, especialmente em locais como a Indonésia - onde vários fotógrafos brasileiros ganham a vida fotografando as trips de surfistas de férias em barcos nas ilhas Mentawaii, por exemplo.

Clique aqui para assistir aos outros episódios da websérie Pegadas Salgadas

Surf Reporters

3 de setembro de 2014



O segundo episódio da websérie "Pegadas Salgadas" é dedicado a profissão de surf repórter, esses camaradas que prestam um serviço valioso pra galera que não quer perder a viagem numa sessão de surf, checando antes as condições do mar em um boletim das ondas.

Os depoimentos de José Oliveira Rocha, mais conhecido como Rochinha, que há mais de uma década faz o boletim por telefone (disk surf), o também experiente Maurio Borges, que dá as dicas na rádio Jovem Pan, e o surfista e shaper Guga Arruda, que presta o mesmo serviço na rádio Atlântida, ajudam a traçar um perfil desta atividade em Floripa, que inclui ainda boletins pela internet.

Rochinha e Maurio conferindo as ondas na Joaquina

A profissão de surf repórter evoluiu muito desde que surgiu nos anos 80, com a disseminação do telefone celular e posteriormente da internet, que facilitaram bastante o processo de atualização e checagem das ondas. Ainda assim, faça chuva ou faça sol, eles tem que acordar diariamente no clarear do dia para dar informações sobre as condições do mar. A recompensa é poder pegar boas ondas com pouco crowd quando as condições estão boas.

O lado ruim está ligado ao frio do inverno e aos perigos de estar circulando pelas praias ainda de madrugada, como bem explica Rochinha num dos trechos inéditos que não entraram na edição original do documentário: "Vocês não tem ideia de que tipo de pessoas restam da noite, e de como  você se sente ameaçado por essas pessoas", conta.

estacionamento da Joaquina

Interessante notar que, pela relação diária com os ouvintes, os surf reporters acabam tornando-se quase como amigos para os surfistas mais fissurados, que consultam as suas informações e confiam nos seus relatos. A nova edição do material também aproveita para citar outros nomes importantes desta atividade na ilha como Raposão e Pena, que, infelizmente não puderam ser entrevistados para o filme. Confira os episodios da websérie Pegadas em Salgadas em: https://vimeo.com/channels/seriepegadas


Pegadas - A Série

25 de agosto de 2014



Desde o início da produção do documentário "Pegadas Salgadas", minha intenção era transformar o projeto em uma série de TV, aproveitando ao máximo todo o rico material produzido com 25 representantes da cultura surf em Florianópolis, ampliando o escopo para todo o estado de Santa Catarina e, se a ideia fosse bem sucedida, por que não,  todo o litoral brasileiro.

O filme foi lançado com sucesso em 2012, sendo exibido em festivais de cinema no Brasil e no exterior, além de chegar à televisão com exibições  no Canal Off. Contudo, infelizmente a ideia de produzir a série esbarrou nas respostas evasivas dos canais de TV dedicados a esporte e aventura que procurei, e assim, o material das entrevistas e as ideias para novos temas e personagens estão desde então guardados em hard drives e documentos eletrônicos.


Na semana passada, com a volta do debate sobre o localismo na grande mídia, por conta dos episódios de agressão na praia do Campeche, resolvi editar o trecho de Pegadas Salgadas que trata do localismo de modo a contribuir para as polêmicas posições em torno deste tema tão controverso - e aproveito aqui para reforçar o meu repúdio a qualquer tipo de violência física e verbal, dentro e fora d'água.

Feito isso, decidi ir além e criar um canal para uma websérie Pegadas Salgadas, onde irei postar semanalmente episódios segmentados que reúnem outros temas abordados pelo filme, como a pesca da tainha, as profissões envolvidas no surf-  como shapers, fotografia, escolinhas de surf e surf repórteres -, além de publicar mini-perfis com alguns dos personagens.

Além dos trechos sobre estes temas presentes no filme longa-metragem, a ideia é também incluir imagens e depoimentos inéditos, além de produzir novos materiais para tornar ainda mais completo esta inesgotável possibilidade de conteúdos que o tema da cultura do surf em Santa Catarina suscita.


Minha impressão pessoal é que os canais de tv a cabo com programação dedicada ao surf, em geral estão se perdendo no conteúdo vazio dos formatos reality-show "egotrip", onde os "apresentadores" se atribuem mais importância do que os personagens e locais que visitam - e o pior é que na maioria dos casos falta a estes apresentadores o carisma pessoal e o talento nas ondas necessários para que este formato se sustente.

Acredito que é possível unir belas imagens de ação e natureza com um conteúdo culturalmente enriquecedor para quem está assistindo. E se não podemos viabilizar isto na tv, que seja no ainda democrático universo da internet.

Confira aqui o canal da websérie Pegadas Salgadas: https://vimeo.com/channels/seriepegadas

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