De volta a Portugal

28 de outubro de 2014


É com grande alegria que recebi a notícia de que o despretensioso curta-metragem documental "Fernando Moniz: E a História Continua", que produzi como suporte ao perfil do legend Fernando "Marreco" Moniz publicado na revista The Surfer's Journal Brasil, será exibido no Surf At Lisbon Film Fest - SAL.

A exibição acontece na sexta-feira dia 31 de outubro, as 19:30 hs no prestigiado Cinema São Jorge no centro da capital portguesa, numa sessão que inclui ainda o curta, sobre a onda de Cabo Raso na praia do Guincho em Cascais, e o longa Peninsula que retrata o surf italiano.

Sou suspeito para falar do SAL, pois tenho grande carinho por este festival, que em sua primeira edição me permitiu fazer a estréia mundial do documentário Pegadas Salgadas em 2012. Mais ainda depois de ter tido a oportunidade de conhecer pessoalmente os organizadores do evento: Ricardo Gonçalves e Luís Nascimento dois "gajos" que são grandes surfistas de alma e transmitem a verdadeira essência gerada no amor pelo surf e suas manifestações artísticas.





Isso se traduz na proposta clássica do festival, que chega a sua terceira edição com filmes, mostras fotgráficas, lançamento de livros e apresentações musicais e logo na abertura irá exibir o icônico The Endless Summer - em celebração aos 50 anos desta produção de Bruce Brown que estabeleceu um marco fundamental no imagiário da cultura surf. Fora isso, o festival traz muitas novidades na safra de prduções recenetes, que inclui uma exibição em 3D do filme Storm Surfers, com Tom Carroll e Ross Clarke-Jones botando pra baixo em ondas gigantes.

O Brasil estará bem representado no festival com outros títulos nacionais, como o indefectível longa-metragem "70 e Tal" do amigo Rafael Mellin e a produção "Radical - A Saga de Dadá Figueiredo" - a qual ainda não tive a oportunidade de assistir. Outro destaque daqui, é o cartaz do festival que ficou a cargo do amigo Tom Veiga, que imprimiu à comunicação do evento o grafismo colorido que é sua marca registrada de sua surf art.



O filme sobre o legend Fernando Moniz se sustenta no carisma e incrível história de vida do personagem, resumida com bom humor em seus depoimentos e aventuras. Marreco ficou feliz quando soube da exibição do filme para o público portugues, pois tem frequentado anualmente a "terrinha", desde que sua filha Natália se mudou para lá, teve um filho e já está prestes a lhe dar dois novos netos - um par de meninos portugueses. E assim, a história continua... longa vida ao SAL!


Pais e Filhos

30 de setembro de 2014



O quarto episodio da websérie Pegadas Salgadas mostra como a relação de pais e filhos com o surf mudou drasticamente ao longo do tempo. Se nas antigas convencer os pais de que era possível viver do surf era uma tarefa árdua, como recordam Fernando "Marreco" Moniz e Teco Padaratz, hoje é comum termos surfistas de diferentes gerações em um mesma familia, como atesta Xandi Fontes, ou até mesmo uma família onde pai e filho são surfistas profissionais, como é o caso de Fabio e Ian Gouveia.



Confira todos os episódios da websérie Pegadas Salgadas em: https://vimeo.com/channels/seriepegadas


  

Da Terra para o Mar

23 de setembro de 2014


A previsão de uma ensolarada manhã de terça-feira de setembro, sob o sol reluzente de um dia limpo de forte vento sudoeste, representava uma das últimas oportunidades de registrar as paisagens das praias do Cabo de Santa Marta para o documentário "A Pedra e o Farol" neste inverno que não foi dos mais rigorosos.



Dada a conjunção dos elementos, a escolha pelo costão da praia da Galheta era óbvia. Por aqui, ondulação de sul equivale a mar azul, e o vento do mesmo quadrante sopra da terra para o mar.
Ah o vento terral! Ele penteia qualquer sinal de espuma que chega a praia e produz o cenário de sonhos para os surfistas.



O lineup estava vazio e a ondulação passava mais para o meio da praia, mas a formação das ondas não estava lá essas coisas por lá, pois o vento estava muito forte e já pegava meio de lado.  No costão protegido o vento era perfeito, mas apenas umas merrecas ocasionais corriam esporadicamente sobre a água transparente.



A missão não era filmar surf e sim a beleza da paisagem. Percorremos então o costão para registramos a geografia recortada e o bairro de casas sobre as dunas e as pedras, alvo de uma ação ambiental que pede a demolição de todas as construções do local. O meio-dia se aproximava e a cada pequena série que corria pelas pedras, crescia a minha vontade de me jogar no mar. Um desejo que só aumentou ao avistarmos uma baleia franca dando o seu espetáculo no meio da praia.



Técnicamente poderiamos dizer que o mar não estava surfável, mas este era o tipo de cenário para mim irresistível, então resolvi entrar na água e dar uma remada de qualquer jeito. Logo fui acompanhado pelo local Alex José, que chegou com um de seus longboards clássicos de madeira com mais de 11 pés de sua marca Noserider, construídos artesanalmente com tábuas maciças de garapuvu.



Munido de sua pesada embarcação de madeira, ele conseguia entrar com velocidade em qualquer ondulação, o que permitiu que registrassemos alguns momentos de surf para complementar as gravações. Eu também tentei a sorte com o pranchão, apenas para comprovar que ele requer uma abordagem totalmente diferente do que estamos acostumados numa pranchinha.



Crédito das imagens: frames "A Pedra e o Farol" por Marcos BG




Fotografia de Surf

11 de setembro de 2014



O terceiro episódio da websérie Pegadas Salgadas é dedicado à fotografia de surf, uma atividade essencial para a divulgação e popularização do surf como esporte, transmitindo todo o apelo visual e estético que envolve o mundo das ondas.

A partir dos depoimentos dos fotógrafos de surf residentes em Floripa, Flavio Vidigal, Basilio Ruy e Marcio David, o episódio aborda o universo de trabalho destes profissionais e as sensíveis mudanças ocorridas nesta atividade ao longo do tempo - incluindo as facilidades conferidas pela fotografia digital e pelo sistema de previsão de ondas, em contraste com a concorrência e a desvalorização da atividade, por conta do excesso de fotógrafos dedicados ao surf.


Vale notar que hoje, cada vez mais, a profissão de fotógrafo de surf se funde com a de cinegrafista, pela conjunção dos equipamentos, onde muitos dos novos profissionais filmam e fotografam ao mesmo tempo. E se a produção de fotos de surf para revistas e sites está cada vez mais competitiva, uma outra tendência que surge com força nos últimos anos é a da produção fotográfica associada a surf trips, especialmente em locais como a Indonésia - onde vários fotógrafos brasileiros ganham a vida fotografando as trips de surfistas de férias em barcos nas ilhas Mentawaii, por exemplo.

Clique aqui para assistir aos outros episódios da websérie Pegadas Salgadas

Surf Reporters

3 de setembro de 2014



O segundo episódio da websérie "Pegadas Salgadas" é dedicado a profissão de surf repórter, esses camaradas que prestam um serviço valioso pra galera que não quer perder a viagem numa sessão de surf, checando antes as condições do mar em um boletim das ondas.

Os depoimentos de José Oliveira Rocha, mais conhecido como Rochinha, que há mais de uma década faz o boletim por telefone (disk surf), o também experiente Maurio Borges, que dá as dicas na rádio Jovem Pan, e o surfista e shaper Guga Arruda, que presta o mesmo serviço na rádio Atlântida, ajudam a traçar um perfil desta atividade em Floripa, que inclui ainda boletins pela internet.

Rochinha e Maurio conferindo as ondas na Joaquina

A profissão de surf repórter evoluiu muito desde que surgiu nos anos 80, com a disseminação do telefone celular e posteriormente da internet, que facilitaram bastante o processo de atualização e checagem das ondas. Ainda assim, faça chuva ou faça sol, eles tem que acordar diariamente no clarear do dia para dar informações sobre as condições do mar. A recompensa é poder pegar boas ondas com pouco crowd quando as condições estão boas.

O lado ruim está ligado ao frio do inverno e aos perigos de estar circulando pelas praias ainda de madrugada, como bem explica Rochinha num dos trechos inéditos que não entraram na edição original do documentário: "Vocês não tem ideia de que tipo de pessoas restam da noite, e de como  você se sente ameaçado por essas pessoas", conta.

estacionamento da Joaquina

Interessante notar que, pela relação diária com os ouvintes, os surf reporters acabam tornando-se quase como amigos para os surfistas mais fissurados, que consultam as suas informações e confiam nos seus relatos. A nova edição do material também aproveita para citar outros nomes importantes desta atividade na ilha como Raposão e Pena, que, infelizmente não puderam ser entrevistados para o filme. Confira os episodios da websérie Pegadas em Salgadas em: https://vimeo.com/channels/seriepegadas


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